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domingo, 1 de novembro de 2009

::Loucura::


... e bota glamour nisso, Diva!

;D


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Antes que seja tarde - parte I: Narciso


Ao acordar, debrucei-me no armário em busca do sintagma a compor meu discurso daquele dia. Em seguida fui ao banheiro, mas, em vez de banho, detive-me fronte ao espelho.
O que vi foi: Uma pessoa capaz de engolir comprimidos afim de encerrar toda a sua vida, capaz de acabar com tudo de uma vez. TUDO.
Vi ela - que sou eu - encarei seus olhos sem hesitar; neles, enxerguei um duplo abismo. Primeiro fuzilei a ela com o olhar de gelo, ela e seu olhar atrativo. Com a mão direita tentei tocar, mas hesitei. Não por medo, mas pelo desdobramento. Invisível. Sentir o que vemos todos os dias.
Sorri um riso esfíngico da piada interna, de "como pude?".



quarta-feira, 18 de março de 2009

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
Sou universitária e você não.

terça-feira, 3 de março de 2009

A Bordo de um avião




Aqui sequer temos bares

entretanto, mais vale o que se Aspira:
É por isso que rumo a outros ares
em busca do que me devolva a vida

Há dias em que tudo inspira

Há instantes de vazio diletante
- o pedaço que faz parte quase pira -
Mas o
Aspirar traz força de verdade

Não mais importa o quanto fira

o incondicional amor é inebriante
O que importa não se arranha, nem se afina:
Sabe que Aspirar revigora de verdade a vida.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Receita Prescrita

Uma pintada de sei-lá-o-quê com canela,
Mechas azuis de terça-feira,
Fortes apertos de mãos cor amarela, certa nostalgia nojenta.
Oscilações de perfeição beirando a paranóia sublime de um neurótico.
Copos quebrados de açúcar mascavo
Roxo, de preferência, não se esqueça da essência da cor.
Medidas incertas, três orcs verdes fritos.
Panela velha, amor cego, prisão perpétua.
Forno leve por vinte minutos, o quão quente for o seu pavor.
Ponta dos pés, requeijão de marmelo.
Sete gotas de choro sincero
Uma colher de chá de mentira
Quatro facadas vinte centímetros do coração
Redondo e perfeito
Sem a absorção absoluta
Opaco o seguro desejo
Um caldeirão cheio
Uma alma vazia
Despejando o mais puro desespero
O livro cinza de receitas tortuosas
Cada um escreve o seu
Segue o padrão seu
E vomita vermelho o resquício de si que resta
Difícil o caminho da vida
Meu único conselho:
Deu branco.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

De como transformar-se em monstro:.

Primeiro torna-me crucificante, ó crucificado
E, somente então, interrompa a sinergia.
Sinta o calor em cada passo,
alimente-se da minha, já gasta, fúlgida alegria...
Que se esvai.

Suas correntes que me eclipsam os pensamentos eclipsados,
A alusao que desemboca em desilusão
No ouvir de ruídos estridentes, inexistentes
Nos arrepios e comichões.
De seu agro purgante não bebo mais,
Sem maniqueísmo ou babaquices mais.

A morte parece tão forte
E o ser mínimo nesse universo tão grande.
Bon jour, carpe diem, to be a happy forever a day.

A dor é plásmica, cor de verde musgo em principio,
forte e brutal,
mas, que a insuportável tolerância,
transmuta em breves respingos letais.

Em breves respingos letais:
ressurge, no silêncio, a intemperança
tal qual assume morfogênese odiosa
O estandarte resplandece rubro e pútrido.

E a flor dos anos, já gastos, tão gastos decide, não mais, aparecer...

sábado, 10 de janeiro de 2009

:Doces ilusões:


Foi tão...etéreo. Sequer lembrei seu nome aquele momento. Ou lembrei, não sei. Teus olhos fitavam os meus. Tão seus. Tão reveladores e obscuros. Gosto de pão de mel, cor de fel e cheiro azul de absinto. Gosto assim. Sem retirar o pano de cima. Louco por si mesmo, por si só. Em pequenos goles ácidos, secos e verdes, até acabar...

sábado, 3 de janeiro de 2009

Pala Inversa

Cada um curte a pala do jeito que quiser
Mas no final das contas
Tudo é pala.
- F. M. Jácome


Tudo faz parte de uma só mesma coisa, mesmo que isoladas pareçam inversas. Pois é exatamente essa inversão que as faz do mesmo todo. Por exemplo: imagine uma bola perfeitamente redonda e maciça; agora arranque um gomo dessa bola, oposto a ela tem um gomo totalmente diferente, mas do mesmo todo: A BOLA!
Outra abstração: se aquela mesma bola for dividida ao meio, uma metade branca e outra preta, e posteriormente arranca-se um pedacinho do meio, como um imã a bola aniquila o vão, agindo como o yin e yang: complementando-se (!).
Para qualquer coisa ou indivíduo há o seu inverso e juntos se complementam. O universo é uno, diferente em várias pequenas partes, mas a mesma coisa em um todo.
Para aqueles que conhecem, pensem na Jóia de Quatro Almas de Inuyasha, em que há uma única esfera que foi partida em vários pedaços; cada pedaço é diferente, mas pertencente à mesma esfera.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Quem vai pescar do inferno?

Mar negro que traga pra dentro sem pensar, com pesar. Do som ínfimo nada resta de contínuo. E o 'já basta" vem para destoar o mundo particular e individual. Meu apego, me entrego às lástimas desgraçadas, purpúreas de cheiro acre. Entrego-me à adoração de um eu nojento e armado de vazio. Dos dentes vaza um fel, um lodo de morte que corrói até chegar ao fígado, mas que não mata...pena.

Pensar é uma câmara escura, totalmente preenchida de vazio em escamas colossais. Tudo tão verde-musgo e púrpuro e secreto. Mistério esmeralda, inerente, como aquele cheiro todo particular de ferro misturado com fumaça;Débil cheiro do medo ou da frustração. Doce e hábil cheiro do pecado. Da guarnição.Lazer róseo-dourado. Limite lilás.Fim próspero, metálico. Redenção.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Inconsciente

Vi um copo, uma tigela, uma piscina, tudo se misturava em um, depois em outro. Tudo azul e transparente, cores da calmaria do mar. Virei para trás, ouvi meu nome e dei um passo em falso; caí no azul. Foi tão lento e tão rápido, tudo ao mesmo tempo. Sentia-me pilhado, não queria parar. Atingi o chão, o fundo do azul. Que fundo bruto, parecia concreto de chão. Era concreto de chão. Olhei a volta e não era mais azul, era multidão. Multidão e música. Multidão, música e rostos, rostos loucos e distorcidos. Riam. Do quê? Riam de mim. Riam de como caí num abismo e bati com força no fundo. Riam tanto que doía. Senti uma dor aguda e quente na minha testa. Era sangue. Riam do meu azul vermelho. O meu sangue se misturou com a água do concreto. Senti mãos e braços de puxando. Ouvi um barulho repetitivo. Uma ambulância? Para quê? Em meus dedos detive meu sangue, estanquei o vermelho. Do vermelho saiu verde e senti o cheiro ardente de curativo. Não mais vi apenas rostos; vi amigos preocupados e alguém me perguntando algo ao longe, e tão devagar. Não vi, não senti, não ouvi. Mergulhei em escuridão, mas lá vi redemoinhos de cores. Quando de lá acordei não vi mais copo, não vi mais tigela, não vi mais piscina; vi uma sala branca de hospital, família, amigos e minha cabeça enfaixada. Eu não vi mais nada.

domingo, 21 de dezembro de 2008

O Duende

Você já viu um duende? Não? Eu já. Foi em uma madrugada de novembro, por volta das duas horas da manhã. Estava eu e um amigo sentados no tronco de uma árvore cerrana que fazia parte de um círculo de seis árvores do mesmo tipo; todas tortas e assombrosas e no centro do círculo de árvores havia um poste alto de luz amarelo-fosco. Era a praça de uma dessas quadras de Brasília. Estávamos sentados a apreciar aquela paisagem fantasiosa, parecia uma floresta de contos de fada, quando surgiu um indivíduo a nossa frente correndo a uma velocidade estrondosa. O sujeito era pequeno e curvo, careca com envoltos de cabelo branco aos lados da cabeça; tinha uma barba excepcionalmente longa e tão branca quando o cabelo; o nariz era grande e pontudo e suas orelhas de igual aparência. Trajava uma blusa e um short, ambos azul-marinho e já não me recordo se estava calçado ou não. Acho que não. Corria muito engraçado, as mãos apertadamente fechadas e os braços dobrados, as pernas corriam mais parecendo um andar apreçado e rebolado. Captamos a imagem daquela criatura mística em uma fração de segundo. Piscamos. Quando olhamos de novo, o duende já estava na outra ponta da quadra. Dizem que os duendes correm a uma velocidade estupidamente alta a percorrerem o mundo inteiro em apenas minutos. Se consegui ver aquele homenzinho, de duas, uma: ou o duende estava cansado e corria a uma velocidade menor, ou eu e meu amigo estávamos sob efeito do encanto das árvores e captamos a magia de seus misticismos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

GLAMOUR [*]

Se me sinto só
Se a agonia é tanta
Se ao menos o xadrez consola
Pés no alto, pernas cruzadas, sensação sonora:

Queria um cheiro amarelo, mas ele me escapa
ele foge, ele foge, não quer ficar aqui.
Mas eu odeio amarelo!
Odeio tanto que preciso...

Odeio muito, o necessário
E o trivial, que se torna cerne,
é a água que me faz mal
É o dia que acaba mal.
É a dor do vazio que me faz mal.

Todos indo através da porta aberta
Todos indo para serem queimados
É absurdo, diante de tanta merda
aceitarem serem, dessa forna submetidos

Minhas respostas condensadas
se resumem ao silêncio
As faltas, as falas e as falsas mentiras
todas tal qual verme impregnadas

Céus, como livrar-me de tamanha melancolia?
A angústia ainda me mata, a cada dia
dilacerando, arrancando os pedaços
E você, ser invisivel, o que fazes?

Grita?
Chora?
Condena?

Não, você é um ser invisível, não é mesmo?
Então você se camufla.
Pois então.

Camufla-se
Arruina-se
E se faça mestre.

Meu sentir sintético
Meus textos sintéticos,
Minha dor e sofrimento tão patéticos
E minha vida que não é verdade.

O tudo reflete o pouco.
O pouco reflete o nada.
E,ainda assim, sigo vivendo
sem ardor senão lascívia
derramando o sangue
deteriorando os sentimentos

A invisibilidade que tanje a dor
o morrer a cada dia
pedaço a pedaço
parte a parte
tão ultrajante...
tão revelador...


Cordas que jamais se desamarram
Por que tudo isso?
E o poder
Tão humilhante...
Tão revelador...
Pois então que acabe logo.
Que acabe todas as mágoas e dissabores.
Que, enfim, encerrem-se em si, todos os meus horrores.

[*]É o nome dado a uma magia de disfarce, para passar despercebido.